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Kaiser-Franz-Josef-Museum, Baden bei Wien
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Baden bei Wien: Entre as colinas dos Bosques de Viena e a imponência imperial

Foto: Henry Kellner · CC BY-SA 4.0

No limite oriental dos Bosques de Viena (Wienerwald) ergue-se uma cidade onde a natureza, o termalismo e a história da música se cruzam há vários séculos. Baden bei Wien deve o seu prestígio não apenas às suas nascentes termais, mas também à sua localização de transição entre colinas arborizadas e planícies abertas. Quem opta por um passeio pedestre por Baden bei Wien cedo constata que este refúgio termal austríaco se descobre melhor subindo primeiro às alturas para depois descer ao seu elegante centro histórico.

Baden bei Wien
Foto: C.Stadler/Bwag · CC BY-SA 4.0

Vistas sobre o Wienerwald

As colinas em redor de Baden já eram, no século XIX, um destino muito procurado pelos citadinos em busca de ar puro e revitalizante. Na Faber Höhe, uma cumeada tranquila onde as carumas estalam sob os passos, atinge-se uma autêntica fronteira geográfica: aqui, as encostas arborizadas dos Bosques de Viena fundem-se com a planície da Baixa Áustria. É um local estratégico para contemplar a paisagem envolvente.

A pouca distância dali, encastrado na encosta, situa-se o Kaiser-Franz-Josef-Museum. Este edifício foi inaugurado em 1905 em honra do imperador Francisco José. A sua implantação em altitude não obedecia apenas a motivos estéticos; garantia desde logo aos visitantes uma panorâmica desafogada sobre o vale. No interior, o museu acolhe uma vasta coleção de arte popular e artefactos que retratam a história da região.

Ao percorrer os trilhos pela floresta, revelam-se mais ecos da memória cultural desta zona. O miradouro Ferdinand-Raimund-Aussicht foi batizado em homenagem ao dramaturgo austríaco que aqui viveu durante o período Biedermeier. Deste ponto rústico, o olhar alcança os telhados da cidade e os declives circundantes — um horizonte que serviu de fonte de inspiração a Raimund. Mais adiante encontra-se a Anna-Höhe, onde bancos de madeira repousam à sombra de uma densa copa de árvores. O nome recorda o hábito romântico dos aquistas do século XIX de darem a caminhos e miradouros nomes de recantos idílicos ou de entes queridos.

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Património verde e pegadas musicais

A partir dos altos arborizados, escadarias de granito conduzem em direção ao Kurpark, iniciando a descida pelo miradouro Bellevue. Este terraço de pedra funcionou durante gerações como ponto de encontro da nobreza e de artistas que, no seu passeio vespertino, pretendiam ver e ser vistos. Junto ao parapeito, contempla-se a mancha verdejante que se estende aos pés.

O Kurpark de Baden data do início do século XIX e afirmou-se como um dos maiores jardins termais da Europa Central. Foi concebido de acordo com os cânones clássicos da tradição termal: canteiros de flores simétricos, fontes e alamedas largas que convidam ao passeio e encaminham até ao casino.

No coração do parque, entre as árvores, ergue-se o Mozarttempel, um pavilhão semicircular sustentado por colunas. O monumento presta homenagem a Wolfgang Amadeus Mozart, que passou uma temporada em Baden em junho de 1791. A tranquilidade da estância ofereceu ao compositor o alívio necessário; foi aqui que redigiu o célebre moteto Ave verum corpus.

A história musical da localidade estende-se até ao casario no sopé do parque. Numa viela de calçada encontra-se a Beethoven-Haus, sediada numa antiga padaria. Ludwig van Beethoven alugou o andar superior deste edifício entre 1821 e 1823. Procurava em Baden amenizar a surdez progressiva, conciliando a atividade criativa com os banhos termais. Hoje, o espaço é um museu que retrata a sua estadia e o quotidiano daquela época.

Tradição mercantil e praças imperiais

Avançando em direção ao centro histórico, o silêncio do parque dá lugar ao ritmo vibrante da vida urbana. Na praça principal ergue-se imponente a Dreifaltigkeitssäule (Coluna da Santíssima Trindade). Esta coluna barroca de mármore com elementos dourados foi levantada entre 1714 e 1718 como agradecimento pelo fim da última grande epidemia de peste que atingiu Baden. Em redor deste monumento secular decorre o quotidiano da população.

Logo ao lado, na Brusattiplatz, ganha vida o Genussmarkt. Produtores e agricultores locais expõem aí as suas bancas repletas de queijos, produtos regionais e flores frescas. O mercado funciona sob o olhar do histórico Frauenbad. Este antigo balneário, símbolo da vocação termal de Baden, serve hoje como museu de arte. A fusão entre o colorido das bancas e a arquitetura clássica do balneário confere à praça uma personalidade singular.

O trajeto pelo centro culmina na Josefsplatz. É aí que se ouve o sino caraterístico da Badner Bahn, o emblemático comboio-elétrico azul e branco com ligação direta a Viena. Com as suas esplanadas acolhedoras e fachadas imperiais bem preservadas, a praça é o coração palpitante da cidade e o remate perfeito para uma caminhada pelas memórias de Baden.


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